A Ordem da manifestação de cristo

7 de janeiro 

   

   

1º. O nascimento de Cristo foi manifestado em primeiro lugar aos pastores, no dia mesmo do nascimento de Cristo. Com efeito, diz o Evangelho de Lucas: « Ora, naquela mesma região, havia uns pastores que velavam e faziam de noite a guarda ao seu rebanho. E depois que os anjos se retiraram deles para o céu, os pastores diziam entre si: vamos até Belém. E foram com grande pressa » (Lc 2, 8, 15, 16).

  

2º. Os magos chegaram a Cristo treze dias depois de seu nascimento, dia no qual se celebra a Epifania. Pois se tivessem vindo um ano depois ou passado dois anos, não o teriam encontrado em Belém, pois o Evangelho de Lucas diz: « Depois que cumpriram tudo, segundo o que mandava a lei do Senhor, isto é, depois de ter oferecido o menino Jesus no Templo,  voltaram para a Galiléia, para a sua cidade de Nazaré » (Lc 2, 39).

   

3º. Foi manifestado aos justos no templo, quarenta dias depois do nascimento, como diz o Evangelho de Lucas. (Lc 2, 22).

   

Eis a razão de tal ordem. Os pastores simbolizam os apóstolos e os outros crentes os judeus, aos quais foi manifestada em primeiro lugar a fé em Cristo, entre eles, como diz a primeira Carta aos Coríntios, não havia « nem muitos poderosos, nem muitos nobres » (1 Cor 1, 26)

  

Em segundo lugar, a fé em Cristo chegou à totalidade das nações, prefigurada pelos magos.

   

E, finalmente, chegou à totalidade dos judeus, prefigurada pelos justos.  E, por isso, Cristo foi-lhes manifestado no templo dos judeus.

   

Portanto, deve-se dizer que a manifestação do nascimento de Cristo foi uma antecipação da manifestação plena que haveria de vir. E assim como na segunda manifestação a graça de Cristo foi anunciada por Cristo e por seus apóstolos, primeiro aos judeus, e depois aos pagãos, assim também, os primeiros a aproximar-se de Cristo foram os pastores, que eram as primícias dos judeus e estavam perto; depois vieram os magos, de longe, como primícias dos pagãos, na expressão de Santo Agostinho.

   

III. q. 36, a. 6 et a. 3 ad 1m.

        

(P. D. Mézard, O. P., Meditationes ex Operibus S. Thomae.)

  

  

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