ESQUEMA DO TRATADO

 

“DE DEO UNO”

   

 

EXTRAÍDO DE   “A NATUREZA DIVINA

 

INTRODUÇÃO ÀS QQ 2 A 26 DA TRADUÇÃO ESPANHOLA DA SUMA TEOLÓGICA,  
POR
SEBASTIÁN FUSTER PERELLÓ, O.P.

 

 

NOTA PRÉVIA — O TRATADO DENTRO DA SUMA:

 

O prólogo começa por propor o plano geral da SUMA. Diz que vai dividir seu estudo em três partes: Deus, os atos humanos e Cristo. Esta ordem, aparentemente simples, resulta-se complexa — a julgar pelos estudos dos especialistas — se se busca descobrir a trama interna, o ritmo profundo, o centro de interesse que move o autor, para além dos enunciados (…)

 

«DE DEO UNO» e «DE DEO TRINO».—Indica, na seqüência, que o estudo do primeiro ponto — isto é, Deus — será, por sua vez, dividido em três partes. Delas, duas referem-se a Deus em si mesmo (qq. 2-43); a última se refere a Deus, como princípio da criação (qq. 44-119). A consideração de Deus em si mesmo se subdivide em duas: o que toca a natureza divina (qq. 2-26) e o que corresponde à distinção das Pessoas (qq. 27-43).

 

Há hoje uma tendência generalizada a unificar o que, durante muito tempo, foram dois tratados clássicos: De Deo UNO e De Deo TRINO. Alguns autores anteriores a Santo Tomás — Pedro Lombardo, por exemplo — começavam sua exposição teológica falando da Trindade. O mesmo faziam alguns seus contemporâneos, como São Boaventura. Santo Tomás, ao invés, seguindo Alexandre de Hales e São João Damasceno, adota a separação entre o estudo de Deus Uno e de Deus Trindade. No prólogo geral da Suma assinala, entre os motivos que o movem a escrevê-la, a carência de sistematização que encontra em outros autores, o que facilmente conduz ao fastio e desorientação do aluno. E uma das coisas que corrige para evitar o fastio e a desorientação é justamente a não distinção de ambos estudos. Seu objetivo é pedagógico.

 

 

ESQUEMA DO TRATADO:

 

  1. A Existência de Deus (an sit) = q.2.

Mas, quando se sabe que algo ou alguém existe, sente-se a curiosidade lógica de saber que é ou quem é. Daí o que segue:

 

  1. A Essência Divina (quid sit; ou melhor, quid non sit) = qq. 3-13

Quem é Deus pode-se considerar ou desde uma visão absoluta e objetiva, em si mesmo; ou desde uma perspectiva relativa e subjetiva, com respeito a nós.

 

1)     Em si mesma = qq. 3-11

 

Partindo das realidades sensíveis, chega-se a se saber de Deus mais o que não é ou o que é, já que tanto a via afirmationis (que lhe atribui as perfeições das criaturas) como a via negationis (que lhe exclui as imperfeições) são sempre caminhos deficientes? Seguindo esta última, o que mais ressalta nos seres criados é a composição ou complexidade de seu mecanismo, por isso que se começa pela análise da:

a)     Simplicidade divina = q. 3.

 

E, como quer que entre nós, quanto mais perfeita é uma coisa, mais complexa e complicada resulta, prossegue S. Tomás discorrendo sobre a:

 

b)     Perfeição divina = qq. 4-6.

 

E, posto que a perfeição e a bondade se equivalem, trata-se da:

      Perfeição de Deus = q.4;

      Do bem em geral = q.5;

      Da bondade divina = q.6.

 

Ora, Deus é perfeito em sumo grado, de modo infinito, e o é não apenas em seu ser, mas também em seu obrar, já que atua em tudo e em todos (ubiqüidade). Por isso é imutável e eterno. É compreensível que um ser de tal categoria seja uno e único. Daí:

 

c)     A infinidade divina — qq. 7-8.
— em seu ser = q. 7,
— em seu obrar = q. 8.

 

d)     A imutabilidade de Deus = qq. 9-10:
— em si mesma = q. 9,
— em seu corolário = q.10;

e)     A unidade de Deus = q. 11.

 

Tendo considerado quem é Deus em si mesmo, passa-se a se considerar quem é com referência a nós: Pode-se conhecer Deus? Pode-se falar de Deus?

 

2)     Com respeito a nós = qq. 12-13.

a.      da maneira pela qual conhecemos Deus = q. 12.

b.      De como podemos falar de Deus = q. 13.

 

Visto o ser de Deus, passa-se ao Obrar. E como há duas classes de atos, uns imanentes (cujo término permanece no interior do sujeito) e outros transitivos (produzem um efeito exterior), daí a primeira grande subdivisão.

   

  1. O obrar Divino = qq. 14-25.

1)     Obrar imanente (entender e querer) = qq. 14-24.

 

As operações imanentes se reduzem a duas: entender e querer; e a segunda se segue necessariamente da primeira. Disso:

A.     O que diz respeito ao entendimento = qq. 14-18:
— a ciência divina = q.14,
— as idéias = q.15,
— a verdade = q. 16,
— a falsidade = q. 17,
— a vida de Deus = q. 18.

B.      O que se refere à vontade = qq. 19-21:
— a providência = q.22,
— a providência particular, ou predestinação = q. 23,
— o livro da vida = q. 24.

2)     Obrar transitivo — q. 25.
— Sobre o poder divino = q. 25.
Chegados a este ponto, como conclusão de todo o tratado, e, de certa maneira, como visão global retrospectiva, fala da:

 

D. A bem-aventurança divina = q. 26.

 

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