OBRAS SOBRE O TOMISMO

Louis Jugnet

[N. da P.] Trata-se de uma bibliografia, em sua maioria, de livros em língua francesa. Optamos por deixar no original o nome dos livros para facilitar os que desejarem consultá-los. As edições em língua portuguesa, quando existentes, assinalamos em notas de rodapé, bem como, ao final, algumas recomendações nossas. 
 

 
Muitas obras são excelentes, e já nos escusamos antecipadamente das omissões que não podem deixar de prejudicar uma bibliografia como esta. E, antes de mais nada, para simplificar as coisas, não mencionaremos senão obras em língua francesa.

Informações biográficas suficientes no que diz respeito ao santo são fornecidas por PETITOT, "Saint Thomas d´Aquin, la vocation, l´oeuvre, la vie spirituelle" (Desclée et Cie). Chesterton escreveu um inimitável Saint Thomas [1].

Uma boa apresentação da mentalidade tomista é dada por J. MARITAIN, "Le Docteur Angélique" (Desclée de Brouwer), bem como por P. WEBERT, "Saint Thomas d´Aquin, le génie de l´Ordre".

Para uma apresentação de conjunto da filosofia medieval (tomismo incluso) podemos ler com proveito GILSON, "La philosophie au Moyen Age" (Payot, nova edição) [2] e, do mesmo autor, o Tomismo (Vrin, 4a. edição).

Quem puder, lerá com fruto os artigos correspondentes ao tomismo no Dicionário de Teologia Católica (DTC) e no Dicionário de Apologética. De modo geral, tirará grande proveito dos escritos do R. P. GARRIGOU-LAGRANGE, que acaba de escrever uma "Synthèse thomiste" (Desclée de Brouwer). Do mesmo autor, "Dieu", "Le sens commun, la philosophie de l'être et les formules dogmatiques", "Le réalisme du principe de finalité" (Desclée de Brouwer).

O Pe. DE TONQUÉDEC escreveu uma excelente "Critique de la connaissance" (Beauchesne) e podemos lamentar que esteja demorando tanto para ser publicada a "Philosophie de la nature", que lhe dará seqüência. 

Alguns livros de J. MARITAIN, tais como "Les réflexions sur l´intelligence" (Desclée de Brouwer), "Antimoderne" (Desclée et Cie), que é uma espécie de programa do tomismo renovado, "Sept leçons sur l´être" [3] etc. serão de grande utilidade. "Art et scolastique", "Frontière de la poésie" do mesmo autor, mostram as luzes que o tomismo pode lançar sobre os mais complexos e atuais problemas de estética.

As "Réflexions sur le psychisme", de Rémy COLLIN e, de modo geral, a série intitulada "Cahiers de Philosophie de la nature" (Vrin) dão mostra da riqueza da luminosidade tomista no campo da filosofia da biologia.

O "Essai de métaphysique thomiste" de WÉBERT (Desclée et Cie) é excelente pela fineza de análise e por sua constante preocupação em refletir sobre os procedimentos de que se vale a pesquisa filosófica.

Não devemos desprezar os manuais. Aquele que tiver a coragem de estudar um deles com método, tirará grande proveito para a formação de seu espírito, desde que saiba fecundar seu trabalho com leituras complementares, tiradas da obra mesma de santo Tomás. Em francês, um aluno estudioso ou um estudante iniciante podem procurar o "Manuel de philosophie thomiste" de COLLIN (Téqui, 2 vol.), que tem a vantagem de ser adaptado aos programas do bacharelado. O manual de JOLIVET, "Traité de philosophie" [4] (Vitte, 4 vol.), é muito mais abrangente e contém mais alusões à doutrinas e problemas recentes, porém é um pouco volumoso para um estudante isolado. Contudo, tem grandes méritos e nós o recomendamos a todo homem honesto deste século XX.

Um estudante corajoso e perseverante teria interesse em trabalhar diretamente num manual escolástico em latim (habitua-se rapidamente à língua). O melhor é o de GREDT (Elementa philosophiae aristotelico-thomisticae, 2 vol., editora Herder, Fribourg-en-Brisgau, 7a. edição, 1937), que é de incomparável densidade ― alegria dos espíritos exigentes ― mas também sólido e bem editado; ou de MAQUART (Elementa philosophiae, Blot, Paris).

Não mencionamos as obras desaconselháveis nessa matéria, por razões facilmente compreensíveis. É preciso, contudo, abrir uma exceção para o grosso livro de M. ROUGIER, "La scolastique et le thomisme", do qual alguns fizeram uma publicidade que não se pode chamar de desinteressada, e que, além dos freqüentes contra-sensos que contém, e que especialistas católicos mostraram abundantemente, foi composto segundo métodos bastante curiosos do ponto de vista material (vide a enérgica avaliação de P. TÉRY na Revue des jeunes, 25 de janeiro, 10 e 25 de fevereiro e 25 de maio de 1927. Controvérsia a que não falta o pitoresco...)

   

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Notas:

[1] Chesterton, S. Tomás de Aquino, Edições Co-Redentora, 2002

[2] Etienne Gilson, A Filosofia na Idade Média, Martin Fontes, 1998

[3] Jacques Maritain, Sete Lições sobre o Ser, Loyola, 1996

[4] Jolivet, Tratado de Filosofia, 4 vol. Agir, 1966; também foi editado o Curso de Filosofia, do mesmo autor (Agir, 1953).

[*] Recomendamos ainda os seguintes títulos em língua portuguesa:

― Manuel de Barros, Filosofia Tomista, Livraria Figueirinhas, Porto;

― R. Jolivet, Curso de Filosofia, Agir, 1953;

― Gardeil, Iniciação à Filosofia de S. Tomás de Aquino, Livraria Duas;

― Edouard Hugon, Os princípios da filosofia de S. Tomás - as 24 teses tomistas, Edipucrs, 1998;

― oportunamente, acrescentaremos novos títulos à presente lista.